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A IMPORTÂNCIA DOS SALMOS PARA A IGREJA

Alguns dos poemas mais antigos do planeta encontram-se nas Escrituras. Um antigo livro de oração da igreja que precisa, urgentemente, fazer parte da comunhão e da vida cristã ordinária.


Diariamente somos convidados a participar da incessante liturgia celestial, compor um coro de milênios, que não só perdura o tempo e as gerações, mas cruza as mais diversas culturas. Eis uma prática que nos transforma, ela muda a forma como compreendemos a nós mesmos e a tudo o que nos rodeia.


Salmos nos ensina a olhar para o ordinário a partir do Senhor e não o contrário. Não existe uma igreja primitiva e uma igreja atual, esse antigo livro da igreja é tão atual quanto o era quando escrito. Não há uma visão cristã de mundo antiga e moderna, não há como o evangelho adaptar-se a fundamentações científicas, tecnológicas e filosofias.


Nos Salmos somos convidados a compreender: espaço, tempo e matéria. O espaço, que é onde estamos agora, o tempo que mostra o que fazemos no agora e a matéria, composta pelo corpo que Deus nos deu. É nos Salmos, na beleza dos poemas inspirados, que percebemos o cruzamento desses três itens sob nossa perspectiva com aqueles pertencentes ao Senhor. A maior beleza dessa ação está na pessoa de Cristo.


“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.”

João 1:1-4


Cristo na terra é o cruzamento de tempo, espaço e matéria humana com a celestial. É para essa realidade que somos atraídos quando nos debruçamos sobre os Salmos.


Salmos também esteve no ordinário do próprio Cristo, Ele é o cumprimento de cada poema.


“E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”

Mateus 27:46


Todo o Salmo 22 transcorre sobre a morte do Cristo e o capítulo começa com a estrofe:


“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que te alongas do meu auxílio e das palavras do meu bramido?”

Salmos 22:1



Vamos nos vestir dos Salmos como se fossem roupas confortáveis, que assim como Cristo, eles façam parte de nosso ordinário, mesmo nos momentos de maior angústia.

Que diante de qualquer situação, nossa primeira reação seja o louvor profundo e verdadeiro. Quando gravados no coração, Salmos nos elevam a adoração nos momentos mais inoportunos, há um mais inapropriado do que quando o peso da condenação de todos os homens está sobre si?


Ao meditar nos Salmos, conforme o trabalhar do espírito, Cristo vai se formando em nós, já é sabido que tornamo-nos semelhantes a quem adoramos.


É então que passamos a viver no tempo de Deus, no espaço e na matéria dEle. Que união poderia ser mais perfeita de tempo, espaço e matéria dos planos de Deus do que aquele em que Cristo está pendurado no madeiro?


É na adoração sincera que confiamos no trabalhar do ser adorado, Ele nos recria, nos molda.


“E vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou;”

Colossenses 3:10


Salmos também fala sobre o Deus que virá redimir seu povo, recitá-los é apontar para o Messias que veio e perceber a essência da história que, por meio dEle fazemos parte. Não é a história de Israel, é nossa própria história cantada.


Em Efésios 2.10 diz:


“Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.”

Efésios 2:10


A palavra grega de “feitura dele” é de onde deriva nossa palavra “poema”, que glória! Nós somos o poema de Deus para o mundo. Somos o poema cantado, orado, o poema vivo, que respira, toca, abraça e transforma por meio do Seu Espírito. Muito mais do que ser um conjunto de poemas, Salmos deve inspirar poemas, nós.



Por Gabriela Neves Simas



Referência:

WRIGHT, N. T.. Salmos: contextos históricos, literários e espirituais para resgatar o significado do hinário do antigo israel. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2020. 190 p. 2020.

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