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O TEMPLO DO ETERNO EM CORAÇÕES DE CARNE

No último texto que escrevi sobre Salmos, abordei a intersecção de nosso tempo com o de Deus. Neste, vamos falar sobre quando há uma intersecção de espaço.


Os Salmos abordam muito sobre o Templo do Senhor, Seu lugar de habitação. Há um lugar, em meio ao caos que governa o mundo, onde reina justiça e paz. É um lugar onde o próprio Deus recria o mundo, ali Sua glória pode ser manifestada e Seus juízos revelados.


Durante a leitura do livro “Salmos”, de N.T. Wright, que tem servido como base para essas breves meditações, o autor traz algo muito interessante. Wright comenta que existem estudos que retratam o Templo construído como um outro mundo, apropriando-se, em seu design e decoração, de temas de Gênesis 1 e 2.


Um exemplo disso seria que as criaturas criadas à Sua imagem estavam no centro desse mundo recém-criado. E após os seis dias de criação, quando Ele “descansou”, na verdade o Senhor veio viver no mundo que criara. Relacionado a isso, lá em Salmos 132, o autor refere-se ao Templo como o lugar de descanso do Senhor.


Mas como poderia o grande e glorioso lugar de descanso desse Deus Onipotente transformar-se em cinzas?


Os teus inimigos bramam no meio dos teus lugares santos; põem neles as suas insígnias por sinais.

Um homem se tornava famoso, conforme houvesse levantado machados, contra a espessura do arvoredo.

Mas agora toda obra entalhada de uma vez quebra com machados e martelos.

Lançaram fogo no teu santuário; profanaram, derrubando-a até ao chão, a morada do teu nome.

Disseram nos seus corações: Despojemo-los duma vez. Queimaram todos os lugares santos de Deus na terra.

Já não vemos os nossos sinais, já não há profeta, nem há entre nós alguém que saiba até quando isto durará.

Até quando, ó Deus, nos afrontará o adversário? Blasfemará o inimigo o teu nome para sempre?

Porque retiras a tua mão, a saber, a tua destra? Tira-a de dentro do teu seio.

Todavia Deus é o meu Rei desde a antiguidade, operando a salvação no meio da terra.

Tu dividiste o mar pela tua força; quebrantaste as cabeças das baleias nas águas.

Fizeste em pedaços as cabeças do leviatã, e o deste por mantimento aos habitantes do deserto.

Fendeste a fonte e o ribeiro; secaste os rios impetuosos.

Teu é o dia e tua é a noite; preparaste a luz e o sol.

Estabeleceste todos os limites da terra; verão e inverno tu os formaste.

Lembra-te disto: que o inimigo afrontou ao Senhor e que um povo louco blasfemou o teu nome.

Não entregues às feras a alma da tua rola; não te esqueças para sempre da vida dos teus aflitos.

Atende a tua aliança; pois os lugares tenebrosos da terra estão cheios de moradas de crueldade.

Oh, não volte envergonhado o oprimido; louvem o teu nome o aflito e o necessitado.

Levanta-te, ó Deus, pleiteia a tua própria causa; lembra-te da afronta que o louco te faz cada dia.

Não te esqueças dos gritos dos teus inimigos; o tumulto daqueles que se levantam contra ti aumenta continuamente.


Salmos 74:4-23



Era o Israel reivindicando um Templo feito de pedras. Mesmo em esperanças equivocadas, o povo reconhecia que o dono do Templo é o criador do sol, da lua, das estrelas e um dia a glória dessa casa voltaria. E realmente, foi glória ainda maior a da segunda casa.


Além de ver o Templo como um lugar de habitação do Senhor, os Salmos nos encorajam a ver o próprio Deus como nosso lugar de habitação. Afinal, como poderíamos nós prover um lugar para abrigar o Grande Deus Vivo?



Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.

Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei.


Salmos 91:1,2


E é aí que podemos compreender sobre o verdadeiro, novo e eterno Templo, Cristo. Lá em João 1.14 o apóstolo nos fala que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós”; “habitou”, do termo hebraico significa “tabernaculou”. Ele é a habitação perfeita do Pai, nEle, como diz em Colossenses 2, havia plena divindade. Finalmente Deus voltou a habitar entre Seu povo.


E essa é a maravilha do Evangelho de Salvação, poder ler os Salmos e ler Cristo como nosso Templo, como o cumprimento definitivo de todas as promessas, a resposta para todas as esperanças ali depositadas.


Agora, a terra santa na qual Deus reside é composta por povos, línguas, tribos e nações, nela, ao invés de um edifício, o Senhor fez para Si um povo. E do coração destes, cobertos pelo Sangue do verdadeiro Templo, Sua habitação. Através do Espírito Santo Ele molda e aperfeiçoa essa habitação conforme o “design e a decoração” que havia em Seu próprio Filho.


As promessas do novo Templo se cumpriram. Elas se tornarão ainda mais plenas com o retorno de Jesus, quando estaremos completamente moldados ao padrão do Eterno.


Que você possa ser transformado, dia após dia, pelo próprio Deus por meio de Seu Espírito. E que um dia, e que glorioso dia será, possamos nos alegrar em plena união com Ele.




Texto por Gabriela Neves Simas

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