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Chamado que nos capacita a obedecer

Por muitas vezes deparei-me com pessoas levantando a mão para “aceitar a Jesus” ou estive diante de profissões de fé em cultos de batismo. A questão é que um verdadeiro discípulo é aquele que obedece, independentemente de mãos levantadas ou palavras publicamente proferidas, o que verdadeiramente importa é o coração obediente.


Para essa resposta imediata – a de obediência – só existe uma justificativa: Jesus Cristo é quem realiza o chamado. A glória não está sobre quem responde ao chamado, mas sobre quem o faz. Diante da fé só existe um caminho: obediência.


Esse é um caminhar um tanto quanto distinto para humanos que vivem seus dias voltados para si. Está distante de ser um item na lista de final de ano e mais ainda como um objetivo de vida a ser alcançado. Mas para aquele que foi chamado, não há nada que faça mais sentido do que obedecer. Não porque ele espera encontrar algo de grande valor após esse ato, mas pelo simples fato de ser capacitado a tal. O fim é o próprio chamado.


Agora, esse discípulo abandona sua antiga existência, abre mão de sua segurança e tudo que possa ser previsível, deixa os termos humanos e se debruça sobre a realidade de Cristo. E nisso reside a sua maior riqueza, o Emanuel. Aquele que é Deus conosco define o discipulado, é o conteúdo, o caminho e o fim dele.


Sendo assim, podemos admitir que assumir um compromisso com o discipulado é assumir um compromisso com o próprio Cristo. E nada fora disso pode fazer sentido, nem mesmo o cristianismo. Como diz Bonhoeffer: “cristianismo sem discipulado, é sempre um cristianismo sem Jesus Cristo.” Viver isso pode até levar alguém ao martírio, sem que este viva a promessa.


Nosso Mediador é o único capaz de trazer sentido à realidade de todo o cristianismo, afinal, sem Ele, não há relacionamento entre Deus e os homens. E esse chamado para relacionar-se através de Cristo só é possível porque Ele mesmo faz o chamado.


E aconteceu que, indo eles pelo caminho, lhe disse um: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que fores. E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. E disse a outro: Segue-me. Mas ele respondeu: Senhor, deixa que primeiro eu vá a enterrar meu pai. Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus.

Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa. E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus.


Lucas 9:57-62


Não há como um homem escolher seu próprio caminho, primeiramente porque este está morto em seus delitos (Efésios 2.1) e quem está morto não realiza escolhas. Segundo, há um enorme abismo entre o “desejo” de ser um discípulo e o fato de realmente o ser. Ninguém é capaz de chamar a si mesmo. Esse abismo entre o “desejo” e o ser só pode ser transposto por Cristo.


O segundo homem relatado por Lucas deseja enterrar seu pai, algo que a lei ordenava que fosse feito. Mas até mesmo a lei cai por terra diante da grandeza do chamado, nada fica entre Cristo e seu discípulo.


O terceiro homem deseja ser um discípulo, mas segundo suas condições. O discipulado não é algo que você encaixa em sua vida, mas é algo pelo qual você a abandona, sejam as redes ou seu posto de coletor de impostos.


É diante de um coração obediente que o Senhor derrama a fé e a fé é o combustível para um coração obediente. “Só o que crê é obediente, só é obediente aquele que crê” (BONHEFFER, 2016). A fé só existe na obediência e a própria obediência em si, é um ato de fé.


Por outro lado, a obediência sem fé é inútil. Mesmo doando tudo aos pobres, vivendo em um monastério, distante de toda influência secular, ainda assim, você pode estar sem fé, e, portanto, em desobediência. Até porque, a Palavra nos diz que sem fé é impossível agradar a Deus porque precisamos crer que Ele existe. Se simplesmente agimos em “obediência” segundo nossos próprios métodos, estamos em busca de nossa própria justiça. Que terrível!


Pedro, no mar revolto, desejava estar com seu mestre e experimentar aquele ato incrível de fé. Mas em sabedoria e discernimento ele não ousa ir em sua própria decisão, ele diz: “Mestre, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas”. Somente depois do chamado de Jesus: “Vem”, é que ele coloca seus pés para fora do barco. Só seremos capacitados a obedecer, se antes, tivermos sido chamados para tal. É o chamado de Cristo que nos capacita para uma vida de obediência.


Mas então por que Deus chamaria alguns, daria fé a alguns e não a outros? Eis aí um enigma que não nos cabe. O que nos cabe é meditar na grandeza e soberania do Senhor:


Grande é o Senhor, e muito digno de louvor, e a sua grandeza inescrutável.

Uma geração louvará as tuas obras à outra geração, e anunciarão as tuas proezas.

Falarei da magnificência gloriosa da tua majestade e das tuas obras maravilhosas.

E se falará da força dos teus feitos terríveis; e contarei a tua grandeza.

Proferirão abundantemente a memória da tua grande bondade, e cantarão a tua justiça.

Piedoso e benigno é o Senhor, sofredor e de grande misericórdia.

O Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias são sobre todas as suas obras.

Todas as tuas obras te louvarão, ó Senhor, e os teus santos te bendirão.

Falarão da glória do teu reino, e relatarão o teu poder,

Para fazer saber aos filhos dos homens as tuas proezas e a glória da magnificência do teu reino.

O teu reino é um reino eterno; o teu domínio dura em todas as gerações.


Salmos 145:3-13




Referência:

BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. São Paulo: Mundo Cristão, 2016. 254 p.








Por Gabriela Simas

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